sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Se os tubarões fossem homens...

“Se os tubarões fossem homens”, perguntou ao sr K. a filha da sua senhoria, “eles seriam mais amáveis com os peixinhos?”. “Certamente”, disse ele.

Se os tubarões fossem homens, eles seriam mais gentis com os peixes pequenos. Se os tubarões fossem homens, eles fariam construir resistentes caixas do mar, para os peixes pequenos com todos os tipos de alimentos dentro, tanto vegetais, quanto animais. Eles cuidariam para que as caixas tivessem água sempre renovada e adotariam todas as providências sanitárias cabíveis, se por exemplo um peixinho ferisse a barbatana, imediatamente ele faria uma atadura a fim de que não morressem antes do tempo. Para que os peixinhos não ficassem tristonhos, ele dariam cá e lá uma festa aquática, pois os peixes alegres tem gosto melhor que os tristonhos.

Naturalmente também haveria escolas nas grandes caixas, nessas aulas os peixinhos aprenderiam como nadar para a goela dos tubarões. Eles aprenderiam, por exemplo, a usar a geografia, a fim de encontrar os grandes tubarões, deitados preguiçosamente por aí. Aula principal seria naturalmente a formação moral dos peixinhos. Eles seriam ensinados de que o ato mais grandioso e mais belo é o sacrifício alegre de um peixinho, e que todos eles deveriam acreditar nos tubarões, sobretudo quando esses que velam pelo belo futuro dos peixinhos. Se encucaria nos peixinhos que esse futuro só estaria garantido se aprendessem a obediência. Antes de tudo os peixinhos deveriam guardar-se antes de qualquer inclinação baixa, materialista, egoísta e marxista. E denunciaria imediatamente os tubarões se qualquer deles manifestasse essas inclinações.
Se os tubarões fossem homens, eles naturalmente fariam guerra entre si a fim de conquistar caixas de peixes e peixinhos estrangeiros. As guerras seriam conduzidas pelos seus próprios peixinhos. Eles ensinariam os peixinhos que, entre os peixinhos e outros tubarões existem gigantescas diferenças. Eles anunciariam que os peixinhos são reconhecidos mudos e calam nas mais diferentes línguas, sendo assim impossível que entendam um ao outro. Cada peixinho que na guerra matasse alguns peixinhos inimigos da outra língua silenciosos, seria condecorado com uma pequena ordem das algas e receberia o título de herói. 

Se os tubarões fossem homens, haveria entre eles também uma arte, haveria belos quadros, nos quais os dentes dos tubarões seriam pintados em vistosas cores e suas goelas seriam representadas como inocentes parques de recreio, nas quais se poderia brincar magnificamente. Os teatros do fundo do mar mostrariam como os valorosos peixinhos nadam entusiasmados para as goela dos tubarões. A música seria tão bela, tão bela, que os peixinhos sob seus acordes e a orquestra na frente, entrariam em massa para as goelas dos tubarões, sonhadores e possuídos pelos mais agradáveis pensamentos. Também haveria uma religião ali. 

Se os tubarões fossem homens, eles ensinariam essa religião. É só na barriga dos tubarões é que começaria verdadeiramente a vida. Ademais, se os tubarões fossem homens, também acabaria a igualdade que hoje existe entre os peixinhos, alguns deles obteriam cargos e seriam postos acima dos outros. Os que fossem um pouquinho maiores poderiam inclusive comer os menores, isso só seria agradável aos tubarões, pois eles mesmos obteriam assim mais constantemente maiores bocados para devorar. E os peixinhos maiores que deteriam os cargos valeriam pela ordem entre os peixinhos para que estes chegassem a ser, professores, oficiais, engenheiros da construção de caixas e assim por diante. Curto e grosso, só então haveria civilização no mar, se os tubarões fossem homens.

Bertold Brecht

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Nós queremos ser cozinhados..merecemos ser cozinhados

Perguntaram a Eduardo Galeano onde ele encontrava os temas para escrever. Ele disse que era muito simples: escutava o que o povo dizia.

E ele conta que foi a um restaurante, se sentou e escutou o cozinheiro falando.

O cozinheiro havia feito uma assembléia onde estavam presentes as galinhas, os patos, os porcos, os coelhos e os faisões. Ele havia os reunido para fazer um pergunta:

- Com que molho querem ser cozinhados?

Alguns ficaram assustadíssimos até que se escutou uma humilde galinha que disse: " eu não quero ser cozinhada".

O cozinheiro disse:

- ‘Um momento, isto está totalmente fora de discussão, o único que vocês podem me dizer é o molho com que querem ser cozinhados’.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Como inspiração...segue a Carta enviada para a SEDUC pela diretora do CEFAPRO

Carta da diretora do CEFAPRO dirigida a Secretária de Educaçao. Atitude de pessoa íntegra e de compromisso com a categoria. Esperamos atitudes como essa de todos os que ocupam cargos de chefia na SEMA. Inspirem-se, lutem, deixem se levar pela construção coletiva!!!


Ilustríssima Senhora Secretária de Estado de Educação de Mato Grosso.

Escrevo-lhe a fim de comunicar minha decisão frente sua solicitação de que eu: “reunisse os profissionais da educação deste Cefapro, que é o único do Estado com profissionais paralisados, hoje pela manhã, para tranquilamente, sem pressionar, lhes explicasse que o governo chegou ao limite das negociações e que a Seduc se vê numa posição complicada de ter que tomar atitude de gestão e cortar o ponto dos profissionais da educação que estiverem em greve. Que lhes dissesse também que já foi garantido o piso de R$ 1.312,00 para dezembro, que todos os recém-concursados estão sendo chamados e que já foi formado um grupo de estudos acerca da implantação gradativa do pagamento das horas atividades aos professores interinos. Informasse ainda que hoje pela tarde um grupo de profissionais da Seduc estará aqui em Rondonópolis inspecionando escola por escola para, com justiça, cortar o salário dos profissionais grevistas e manter o salário daqueles que seguiram trabalhando”.

Antes dessa comunicação, porém, quero descrever brevemente o ponto de partida da minha decisão, tomada após muitos momentos de reflexão profissional e de meditação pessoal. Minha opção pela educação enquanto causa fundamental da vida, prioridade em meu projeto pessoal e profissional, vem sendo reforçada a cada dia desde minha infância. Confirmam-se também no cotidiano do trabalho educativo e da convivência com meus pares, profissionais da educação, as minhas escolhas políticas, marcadas por meu desempenho sindical engajado e por minha filiação ao Partido dos Trabalhadores.
Em algum outro momento oportuno gostaria de lhe relatar minha história de vida e mais especificamente, minha história com o PT, que nasceu quando eu tinha apenas dez anos de idade e vivia na capital de São Paulo, onde tive o privilégio de ter tios/vizinhos que trabalharam ativamente no movimento da Teologia da Libertação e que me inseriram no mundo da política desde muito cedo. Mas conforme dito acima, citei este fato apenas para demonstrar que apesar de jovem (tenho apenas trinta e três anos, e oito apenas de Mato Grosso) construo dia-a-dia minha trajetória profissional delimitada com consciência, trabalho e compromisso.
É preciso ainda, para justificar o que direi em seguida, analisar diversos pontos a respeito da solicitação supracitada. Desde o início do ano passado (dois mil e dez) o Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso apresentou na pauta de reivindicações da categoria dos profissionais da educação básica do Estado, a implantação do piso de R$ 1.312,00 que, portanto, não é uma exigência atual, mas, ao contrário, já está defasada! A necessidade da posse imediata dos novos concursados é evidenciada e fiscalizada por esse sindicato desde antes do concurso ser realizado! O pagamento das horas atividades aos professores interinos (pois que as vagas a serem assumidas com os concursos nunca atingem a demanda de profissionais efetivos) é ponto da pauta do Sintep desde sempre, já que ao não receberem pelo trabalho que realizam os professores substitutos se submetem ao trabalho escravo, o que é inadmissível!

A questão é que a conjuntura atual nos aponta um cenário propício a nossa luta, que é urgente! O lançamento da campanha do Sintep: “Educação: a obra mais importante da Copa do Pantanal” denuncia a negligência do governo de Mato Grosso para com a educação, ou seja, a não priorização da educação (diferentemente do que foi propagado em período eleitoral no ano passado). É fundamental informar à sociedade mato-grossense quanto ao descumprimento da lei por parte do poder público no que diz respeito à aplicação dos impostos recolhidos e destinados à educação e que os investimentos para a Copa do Mundo em nada nos beneficiarão se não estiverem direcionados às políticas sociais!
Quando conversamos com pessoas não ligadas a educação e lhes apresentamos nossa pauta de reivindicações todas se demonstram solidárias a nossa luta e consideram absurdo nosso baixo salário, sobretudo diante dos salários pagos as outras categorias profissionais do funcionalismo público de nosso Estado. Além disso, diversas entidades, entre elas a Adufmat (Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso), a Câmara Municipal de Rondonópolis e partidos políticos, têm comparecido às nossas assembléias de categoria para manifestarem seu apoio e encorajar-nos ainda mais na luta! Por tudo isso, considero que a persistência da categoria em manter-se paralisada não seja “bobeira” do sindicato, mesmo porque o sindicato é a própria categoria!

Toda a propaganda governamental em torno das melhorias na educação realizadas em MT nos últimos anos, ora repudiada pelo Sintep/MT uma vez que utiliza os recursos pelos quais estamos lutando a fim de eximir a responsabilidade do governo em atender prontamente nossas reivindicações, faz é destacar a importância desse sindicato e a importância da estratégia de greve enquanto mecanismo de luta e de conquista dos direitos da categoria. Afinal, toda essa melhoria (que é ainda ínfima diante do que merecemos) aconteceu porque a categoria a conquistou por meio da greve!

Nós, profissionais lotados no Cefapro, estaremos assegurando nossa credibilidade junto aos pares lotados nas unidades escolares, quando lutarmos ao lado deles pelos direitos da nossa categoria e quando reforçarmos a necessidade de ensinar (pelo exemplo) a lutar para se conquistar tais direitos! Ao seguirmos trabalhando enquanto a maioria se encontra paralisada, distanciamos nossas relações com os demais profissionais da educação, que deveriam estreitar-se cada dia mais, pois nosso prestígio consiste na confiança em nós depositada para que possamos acompanhar o trabalho da formação continuada nas escolas. Além disso, estamos nesse órgão porque fomos aprovados em seletivo realizado pela Seduc e não porque representamos os interesses de governo.

Defendo e seguirei promovendo a política pública de educação adotada pela secretaria porque acredito que ela responde às necessidades educacionais da nossa sociedade e é por isso que sou diretora do Cefapro de Rondonópolis, porém, atender a solicitação de reunir os profissionais que comigo trabalham, para dizer-lhes o que me pediu que dissesse, não será possível.
Explico: assim como o sindicato já comprovou e não foi contestado pela Seduc, é sim possível ao governo implantar o piso de R$ 1.312,00 imediatamente, mesmo porque ao contrário do que nos foi dito por porta-vozes do governador, e recentemente veiculado pela mídia, o Estado de Mato Grosso já obteve arrecadação e crescimento (neste ano) superiores ao esperado. Portanto não posso dizer a meus pares que não há mais como negociar com o governo. Aliás, o governador não sentou nenhuma vez, desde antes do dia seis de junho, para negociar com o sindicato e a categoria!

Pior do que isso, o que o governo fez e a Seduc consentiu, foi entrar junto à Procuradoria Geral do Estado com o pedido ao Tribunal de Justiça, que concedesse liminar obrigando-nos a abandonar a paralisação sob a pena de corte de pontos, multa diária ao sindicato e a consideração da greve enquanto ato ilegal. O TJ concedeu o segundo e o terceiro pedidos da PGE alegando que a educação é serviço essencial e não pode parar. Ora, se esse mesmo TJ, no ano passado, em período eleitoral, rejeitou o pedido da Seduc em poder realizar contratos temporários para as vagas de professores que gozaram licenças ao longo do ano letivo (por ser proibido contratar profissionais temporários em ano de eleições) alegando justamente que a educação não é serviço essencial! Mais uma vez, não posso sustentar a afirmação de que a greve é ilegal junto aos meus pares, porque sei que não é, venho construindo o movimento legitimamente junto aos meus companheiros e sei que o Sintep/MT comprovará isso pelos caminhos legais da justiça, o que já vem sendo feito.

Concluo dizendo que se eu cumprisse a solicitação da Senhora Secretária, eu contradiria meus princípios, minha história e meus companheiros de trabalho e de luta!

Assinado: Professora Flavia Martins Gonçalves.
Diretora do CEFAPRO DE Rondonópolis.

E você, sentes vergonha de si?

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Mobilização Já!!!

"Nós vos pedimos com insistência: não digam nunca - Isso é natural: sob o familiar, descubram o insólito. Sob o cotidiano, desvelem o inexplicável. Que tudo o que é considerado habitual provoque inquietação. Na regra, descubram o abuso, e sempre que o abuso for encontrado, encontrem o remédio." 

Bertold Brecht
 

"O rio que tudo arrasta se diz violento, mas ninguém chama de violentas as margens que o aprisionam." 


Servidores da SEMA: reergam-se diante das margens que os aprisionam!! Libertem-se!!

PCCS, MORALIDADE E ÉTICA PARA A SEMA JÁ!!!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Justiça manda suspender divulgação de campanha "Greve custa caro"

 Por  Ascom MPT/MT 


O Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso, por intermédio dos procuradores do Trabalho, Thalma Rosa de Almeida, Marco Aurélio Estraiotto Alves e Rafael Garcia Rodrigues, ajuizaram uma ação civil pública com pedido de liminar para impedir a continuidade da divulgação de campanha publicitária contra o direito de greve, que vem sendo veiculada em diversos meios de comunicação do estado. A campanha é patrocinada pelas entidades representantivas de classes patronais e leva a assinatura do Fórum das Entidades Empresariais.

As entidades anunciantes da campanha publicitária são a CDL, a FIEMT, a FECOMÉRCIO, a FACMAT e a FAMATO. A atuação do MPT foi motivada por denúncias feitas por diversos sindicatos de trabalhadores, pela CUT, pelas Centrais Sindicais, pela Força Sindical e seus demais sindicatos filiados. Os sindicatos dos trabalhadores pediram providências por parte do MPT por estarem revoltados e inconformados com o conteúdo da campanha que tem como mote a seguinte mensagem: "A greve custa caro".

Os procuradores do Trabalho concluíram que a campanha ataca diretamente o direito constitucional de greve assegurado aos trabalhadores brasileiros, na medida em que vincula a greve ao aumento de tarifas e da carga tributária. "A mensagem da campanha caracteriza ainda um ato antissindical e abuso de direito por parte dos anunciantes", enfatizaram

O direito de greve no Brasil

O direito de greve está expressamente previsto na Constituição art. 9º, caput e na Lei Lei 7.783/1989, art. 1º que o asseguram e fixam que compete aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender.

Esse é um instrumento por meio do qual ao longo da história do direito do trabalho, os trabalhadores reivindicaram diversos interesses que terminaram por serem consolidados em leis e constituições mundo a fora.

Conforme o Comitê de Liberdade Sindical da OIT "o direito de greve é um dos meios legítimos e fundamentais de que dispõem os trabalhadores e suas organizações para a promoção e defesa de seus interesses econômicos e sociais. Após anos de evolução social e jurídica, vê-se tal direito atacado, num claro atentado contra esse progresso dedicando-se à campanha que tem como fundo o retrocesso do direito de greve.

Segundo os procuradores, o abuso de direito que foi identificado pelo MPT está exatamente no conteúdo que conclama a população em geral a ser contra o direito de greve constitucionalmente e legalmente assegurado.

"A campanha vai além, traçando correlação maliciosa entre greves realizadas por aeroviários, bancários e trabalhadores do setor de transporte com o aumento de tributos, tarifas bancárias, de ônibus e de passagens. As entidades empresarais, além de atacarem o direito de greve, deformaram a informação de aumento de tributos e tarifas informando à população que todos decorreram das greves", destacaram.

Na ação civil pública, o MPT requer a suspensão imediata de todos os tipos de anúncios publicitários da campanha em todos os meios de comunicação, a aplicação de multa diária no valor de cem mil reais, em caso de descumprimento tanto por parte das empresas de comunicação como das entidades anunciantes da campanha; e que seja assegurado o direito de respota da coletividade na mesma proporção de investimento, pelo mesmo período e nos mesmos meios de comunicação utilizados para divulgação a campanha "A greve custa caro".

O Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso quereu também a condenação por dano moral coletivo em valor não inferior a dez milhões de reais.

A ANPT - Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho e a AMATRA - Associação dos Magistrados do Trabalho emitiram nota de repúdio contra a campanha publicitária, informou o Delegado da ANPT em Mato Grosso, Rafael Garcia Rodrigues.



Fonte: http://www.revistasina.com.br/portal/movimentos-sociais/item/2505-justi%C3%A7a-manda-suspender-divulga%C3%A7%C3%A3o-de-campanha-greve-custa-caro

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

No Caminho, com Maiakóvski


Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.

Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de me quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas amanhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.

Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.

Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas ao tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.

E por temor eu me calo,
por temor aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita - MENTIRA!


Eduardo Alves da Costa


Isso retrata o que ocorre nesse momento na SECRETARIA DE MEIO AMBIENTE.